Acordamos um dia com um
grande alvoroço na Vila, todos estavam preocupados, porque uma Vila a menos de dez
quilômetros havia sido atacada, saqueada e queimada, havia muitos mortos e as
meninas tinham sido seqüestradas. Era uma prática comum seqüestrar as meninas
para serem vendidas como mercadorias sexuais e com esse dinheiro comprarem mais
armas.
Meu pai tinha muito medo que
nos acontecesse isso, então ele fez um esconderijo no meio da mata onde eu,
mamãe e minha irmãzinha poderíamos nos esconder, ele fez um buraco na parede do
quarto atrás do guarda-roupa. Ele dizia que acontece o que acontecer tínhamos
que fugir, sem olhar para trás, ir o mais rápido possível até que
conseguíssemos chegar ao esconderijo. Ele colocou trancas nas portas e janelas,
para que desse tempo para fugirmos.
Nos dias que se seguiram ele
pediu para mamãe não sair de casa, por duas semanas não fomos à escola, já que
tínhamos que caminhar cerca de trinta minutos, até que a situação se acalmou e
voltamos para rotina normal.

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