quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O DIÁRIO: MULHERES, MULHERES FORTES


Depois de algum tempo chorando juntas, minha mãe se levanta nos pega quase que no colo e nos leva para cama, pega um dos livros e começa a ler para nós, é uma leitura com choro e lágrimas molhando as paginas do livro ao terminar ela começa a conversar conosco:

- “Sei que é difícil para todas nós eu sei como deve ser para vocês que amavam e eram amadas por seu pai, temos que continuar a viver sem ele, foi um homem maravilhoso e queria sempre o melhor para nós, fazendo de tudo para que vivêssemos com o melhor, sempre ensinou a mim e a vocês como viver bem.  Não podemos desapontá-lo, o que ele queria de vocês fizessem?" – pergunta.

 Minha irmãzinha respondeu:

- "Que estudássemos."

- "Para que?" - perguntou mamãe.

Respondi:

- "Para que tivéssemos uma vida melhor que a de vocês."

- "Sim uma vida melhor, assim como ele fez, eu vou continuar lutando com todas as minhas forças para dar o melhor a vocês, para que venham ter uma vida diferente da nossa, se tivermos de sair deste país, é o que vamos fazer, eu quero que meus netos não sofram como nós estamos sofrendo. Vamos fazer um pacto, pelo seu pai e por nós, não vamos mais chorar por ele, vamos sempre se lembrar dele pelo que ele fez por nós, e juntas vamos lutar para que a nossa vida mude e ele tenha muito orgulho de nós. Combinado?"

 Respondemos todas que sim.

- " Não vai ser fácil, mas todas as vezes que ficar difícil lembramos dele e não desistamos nunca, mas vamos lutar com toda nossas forças, porque somos mulheres e mulheres fortes."

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O DIÁRIO: EXPLOSÃO DE EMOÇÃO

Ao terminarmos a janta e ajudarmos a lavar a louça fomos deitar, a minha irmãzinha não segurou a emoção, era nessa hora que nosso pai nos colocava para dormir, lia para nós e se despedia com beijo em cada uma de nós.
Ela começou a chorar muito a dizer que queria seu papai, era choro profundo e muito sentido como se tivesse sentindo uma dor muito grande, minha mãe a abraça tentando a consolar, mas não consegue dizer uma palavra, também não segura a emoção e começa a chorar.
Eu que estou de pé aos pés da cama me desespero tento chorar e não consigo, parece que vou explodir, me ajoelho e fico observando as duas sem conseguir chorar, meu peito parece que vai explodir, é uma agonia sem fim, até que solto um grande grito de dor, me esparramando pelo chão, derramando muitas lagrimas, chorando desesperadamente, não consigo parar de chorar.
Neste momento sinto a minha querida mãe e minha irmãzinha se deitando no chão cada uma de meu lado me abraçando forte me fazendo sentir mais consolada e ficamos ali juntas chorando.
 
 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O DIÁRIO: DIVIDIR



Na hora da janta tínhamos muito pouco para comermos, então dividiu uma pequena poção de comida em dois pratos, eu lhe perguntei se não dividiria para ela, respondeu que não tinha fome e ia até o Sr. Joval, para saber se tinha um trabalho para ela e saiu.

Eu e minha irmãzinha pegamos um prato, tiramos um pouco de comida de nosso prato passamos para o dela e a esperamos voltar. Quando chegou, brigou conosco por não termos comido ainda, eu lhe disse que sempre comíamos juntos e eles nos ensinaram sempre a dividir as refeições, sem eles não tinham o mesmo sabor, ela nos beijou ternamente, fez uma linda oração e comemos juntas.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O DIÁRIO: CHORO, CANÇÕES E ORAÇÕES


Chegamos aonde tínhamos feito a representação de um tumulo, ela começou a falar sobre as grandes qualidades de meu pai, às vezes era interrompida por noz na garganta e por lágrimas, mas continuava , leu textos da bíblia que falavam de uma esperança para os mortos, cantamos uma linda música, para finalizar ela fez uma oração reconfortante pedindo pelo meu pai e solicitando a ajuda de Deus para continuarmos a nossa vida, fizemos um momento de silêncio, depois ela e minha irmãzinha choraram muito, mas eu não conseguia chorar e isso me deixava mais chateada e angustiada.

Voltamos para dentro de casa, aquele dia foi um dos piores da minha vida, o silêncio era grande até minha irmãzinha que era a mais travessa estava quieta.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O DIÁRIO: A GRANDE HOMENAGEM



Eu trouxe a minha irmãzinha, ela nos encontrou na porta e nos fez entrar, pediu para tomarmos banho e colocarmos a nossa melhor roupa. Depois ela tomou banho e se arrumou também com a sua melhor roupa, pegou lenços pretos e colocou em cada uma de nós dizendo que era para usarmos durante sete dias em respeito ao nosso pai.

Minha irmãzinha perguntou por que estávamos com as nossas melhores roupas? Pedi para ela esperar que a mamãe fosse explicar para nós. Ela veio até nós e explicou amorosamente que nosso pai havia morrido, minha irmãzinha começou a chorar, nós três nos abraçamos, ela continuou a explicar que iríamos fazer uma homenagem ao nosso pai, pelo excelente homem que ele foi, um marido respeitador, um amoroso pai e merecia sempre ser lembrado por isso, nos levou para fora.