sexta-feira, 15 de junho de 2012

Pai, o herói


Mais um dia de trabalho que havia se acabado, tomar um banho e se arrumar para voltar para casa, esse era o momento mais difícil, isso porque estávamos em guerra civil, quando imaginávamos que terminaria com a ajuda das forças internacionais, começou tudo de novo. Minha maior preocupação estava em minha esposa, a sua proteção era de vital importância. Agora tinha que fazer a jornada perigosa de voltar para casa.


Eu, Borislav, Dragomir, Gorki, Lubomir e Radomil estávamos voltando quando vimos grande tumulto vindo em nossa direção, com pessoas correndo e barulho de tiros, um olhou para o outro e sem dizermos nada saímos correndo entrando por uma rua lateral, achamos uma caçamba de lixo e não tivemos dúvidas, todos os seis pulam para dentro fechando a tampa, e lá junto com o grande mau cheiro, ouvimos uma grande gritaria e muitos tiros, ficamos muito apreensivos, mas bem quietinhos.


Quando a gritaria e os tiros ficaram mais longe, sentimos a necessidade de sair para ver como estava a situação, então, ...

Andávamos sem dizermos uma palavra, nos nossos rostos a imagem do horror, da revolta, da angustia e o pior da aflição de não saber o que tinha acontecido com a nossa família. As nossas passadas eram de cautela, para não encontrar nenhuma surpresa pela frente, mas na realidade queríamos correr para chegar o mais rápido possível em nossas casas. A cada caminhada o horror ia aumentando, não haviam poupado nem as mulheres, não tínhamos coragem de realmente ver se estavam mortas, mas de repente algo aconteceu, o choro de uma criança e um grito agonizante de uma mulher pedindo socorro:


-           Socoooorro, por .............favor ........... aaaajudem, oooo meu filho.


Não conseguíamos nem olhar um para a cara do outro, suspiramos e continuamos andando, não tínhamos nada haver com aquilo, tínhamos a nossa família para cuidar, e não podíamos arriscar a nossa vida para salvar alguém que não conhecíamos. Mas, de novo o choro e um grito mais angustiante:


-           Socorro, por fa.....vor  aju.........dem ooo me.............................u fi....................lho, soooooocoooocoooooorroooooooooooo. – Esse grito parecia o grito de alguém preste a morrer, e grito não era para socorre-la, mas sim o filho que estava chorando.


Uma grande sensação tomou conta de mim, algo dizia que eu não era covarde, como podia deixar alguém morrer, uma mulher que não gritava pela sua vida, mas pela vida do filho, ou seja, uma mãe desesperada. Como eu podia não sentir nada ao ouvir o choro de uma criança e saber que ela seria morta sem chance de se defender. E se fosse a minha mãe, meu filho ou a minha mulher. Olhei para Borislav, e sem dizermos nada, mudamos o caminho para dentro daquela casa, os outros ficaram meio perplexos, mas também nos seguiram. E ai, quando entramos, vimos algo chocante, a mulher sendo estrangulada por um homem três vezes o seu tamanho e um outro homem segurando uma criança pelas pernas de cabeça para baixo, eu e Borislav tínhamos uma arma apontamos para os homens e ele grita:


-           Deixem ela em paz.


-           Fica na sua, isso não é da sua conta, então saia daqui e fique quietinho. – responde o estrangulador.


-           Não se bate em mulher.- grita Borislav.


-           Não – neste momento ele soltou um murro no rosto da mulher e deu gargalhadas – o que vo.........


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